Como iniciar um projeto sobre uma área da qual se tem pouco conhecimento? E se esse projeto for o mais importante da sua graduação e da sua vida até então? O que se deve fazer? Vou falar um pouco sobre a experiência que tivemos com o Karua e talvez consiga esclarecer algumas das perguntas acima.
Após termos definido o nosso tema — quem sabe alguem não posta sobre isso futuramente — tínhamos que decidir quais seriam as funcionalidades do nosso sistema. Para definir isso, decidimos fazer um brainstorming (para quem não sabe, isso significa um monte de gente dizendo o que pensa) e vimos que muitas pessoas tinham idéias controversas, haviam até pessoas que não tinham opinião alguma e percebemos nossa urgente necessidade de aprender mais sobre o mercado de festas e sobre os nossos possíveis futuros usuários.
Como preparar um questionário para entrevistas quando não se domina aquele assunto? Não dá, ou você simplesmente não faz ou vai ficar uma porcaria. Por isso, no primeiro momento nós, os membros da equipe de pesquisa, decidimos elaborar não um questionário, mas sim um roteiro e não fazer entrevistas, mas sim ter conversas. Na prática, isso significou que íamos até as pessoas com o objetivo de extrair algumas informações delas sem ter sempre que perguntar diretamente sobre aquilo e sempre deixando-as livres para falar sobre o que quisessem. Afinal de contas, se você pergunta sobre decoradores e a conversa se estende até cozinheiros, você precisa interrompê-la? Pelo contrário, incentive-as a falar mais.
Nessas conversas sem questionários fixos, tivemos umas 20 com prestadores de serviços e mais umas 20 com pessoas comuns que já haviam organizado festas. Aprendemos mais sobre festas do que jamais poderíamos ter imaginado. Inclusive, foram nas conversas mais descontraídas que talvez mais aprendemos, como quando visitamos uma pessoa que não via nada de bom em ser divugaldo pela Internet e no cômico caso em que uma doceira, uma senhora de mais de 60 anos, chamou um de nossos colegas para brincar carnaval em Bezerros.
Uma coisa deve ser ressaltada quando se faz esse tipo de pesquisa, o filtro deve estar sempre funcionando e deve-se sempre analisar bem todas as informações dadas pelas pessoas porque informações conflitantes são comuns e pessoas querendo apenas agradar para tentar ganhar um cliente também. No nosso caso uma entrevista no final do processo ajudou muito na filtragem de informações.
Se esses tipos de pesquisa não são 100% confiáveis e nós não conseguimos uma real dimensão das opiniões da população em geral, para que elas servem? Servem para nós entendermos o que se passa naquele ambiente e como ele funciona, para termos uma noção do que o nosso sistema precisa prover e quais serão nossos requisitos e para termos capacidade de elaborar um questionário para coleta de dados que nos permita traçar perfis de usuários e ter certeza de quais coisas que nós imaginávamos necessárias eles realmente precisam e querem.
Agora que já temos esses questionários elaborados queremos com eles traçar perfis de usuários e de empresas e não mais tentar entender sobre como funciona a organização de eventos. Ajude-nos a tornar o Karua um organizador de eventos agrádavel e útil respondendo aos nossos questionários.
Com esses dados finalmente terminaremos de confirmar nossos requisitos, iniciaremos nossa prototipação e faremos mais pesquisas (testes de usabilidade), para finalmente terminarmos nosso produto e fazermos mais pesquisas (testes finais), porque nós da synergy acreditamos que só junto com nossos usuários conseguiremos fazer do Karua o melhor sistema para organização de festas da rede mundial.
–
Autor: Caio